Reportagens Especiais

O frigorífico que alavanca o crescimento de Poço da Antas

Investimento da  Languiru eleva o patamar do pequeno município do Vale, gerando trabalho e renda para a comunidade

Créditos: Renan Silva | Rodrigo Nascimento



Centro Administrativo de Poço das Antas/Renan Silva


Poço das Antas -
O frigorífico instalado em Poço das Antas - em funcionamento desde 2012 - mostra o verdadeiro significado da expressão "indústria de transformação". De forma geral, o termo se refere a um segmento que transforma matérias-primas em bens consumíveis pelo homem. Mas no município, localizado no entroncamento da Serra com os vales do Caí e Taquari, seu significado vai além: a instalação de um frigorífico de suínos da Cooperativa Languiru na cidade, de apenas 2,1 mil habitantes, estimulou o comércio, fomentou o setor imobiliário e exigiu mais investimentos em saúde e educação.

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A família Gewehr, que reside na cidade há cerca de dois anos, é natural de Bom Retiro do Sul. Luís Carlos (37) atua como supervisor de produção no frigorífico desde sua instalação no município. A esposa, Eliane (36), lidera uma equipe responsável pela produção de embutidos. Já os filhos, Mateus (10) e Ana Luíza (5), fazem uso do sistema de ensino local.



Família Gewehr/Renan Silva




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Do desenvolvimento


Para o secretário municipal da Administração, Hidelbrano Labres Machado (62), não há como uma cidade crescer sem a presença de uma grande indústria. "O que atrai gente ao município é o emprego, a remuneração. Com o frigorífico, uma empresa exclusivamente local, a cidade está se desenvolvendo. Eu moro aqui há 12 anos, tenho propriedade há um pouco mais de tempo. Antes, quando se chegava aqui, não se via o movimento que se tem hoje", conta.


As tratativas para a instalação do frigorífico de suínos da Languiru, no município, começaram há cerca de cinco anos. Duas áreas de terra foram oferecidas para que a indústria escolhesse a que mais se adequasse às suas necessidades. Como benefício extra, parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) recolhido é devolvida à cooperativa. Ainda assim, o secretário da Administração conta que o crescimento da arrecadação é perceptível.


"O frigorífico da Languiru, para nós, é uma caderneta de poupança. Hoje, estamos investindo, mas já começamos a ver o resultado. Na próxima administração, o próximo prefeito terá uma safra ainda melhor do que a nossa. Parte do ICMS está ficando com a empresa, um incentivo para que fiquem aqui."


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Sobre a Languiru


O presidente da Cooperativa Languiru, Dirceu Bayer (61), conta que a opção por Poço das Antas, para a instalação de um frigorífico de suínos, deveu-se à localização geográfica do município, a seu fácil acesso e rodovias em boas condições, além da estrutura e dos benefícios oferecidos pela cidade. Confira


O Informativo do Vale - O que representa para a Languiru o fato de a cidade ter crescido com a instalação do frigorífico?

Dirceu Bayer - Quando o frigorífico de suínos foi projetado, já sabíamos que iria levar outros empreendimentos e crescimento para o local da instalação. Dado o volume investido e a tecnologia empregada, foram necessários os serviços de apoio, o que trouxe novos empreendimentos e empresas para trabalhar no projeto. Também o número de funcionários empregados levou à migração de pessoas e famílias de outras regiões, o que igualmente movimentou o setor imobiliário e segmento de bens de consumo.
A Cooperativa Languiru sempre primou pelo desenvolvimento regional, distribuindo suas atividades e plantas industriais na região. A instalação do frigorífico em Poço das Antas contribuiu para a ratificação desse conceito, pois o município necessitava de novos investimentos que pudessem impulsionar sua economia e fornecer novas vagas de emprego e renda. Acreditamos que o objetivo foi cumprido.


O Informativo do Vale - De que forma a instalação desse frigorífico tem ajudado no crescimento da empresa?

Bayer - A Languiru tem tradição na produção de suínos e, por força da economia, teve que se desfazer do antigo frigorífico localizado em Bom Retiro do Sul, por volta do ano 2000. Após essa decisão, continuou na produção de suínos, pois a atividade é perfeitamente dominada pelos associados. Durante vários anos, foi necessária a comercialização de animais vivos para outras empresas e era preciso a construção de uma planta própria. O início das atividades do novo frigorífico permitiu a ampliação das atividades, passando de 300 suínos por dia para mais de 1,4 mil abatidos atualmente.


O Informativo do Vale - A indústria tem contribuído para o crescimento da cidade. E de que forma a cidade tem contribuído para o crescimento da indústria?

Bayer - Desde o início do projeto, o município de Poço das Antas tem contribuído com incentivos e apoio na construção. A parceria do município e da Languiru foi decisiva para o sucesso do empreendimento e continua sendo importante na medida em que aumenta o volume de abate e novos mercados são conquistados, como, por exemplo, a exportação de carnes e industrializados.



Segundo a Languiru, 700 funcionários atuam no frigorífico de Poço das Antas. Proporcionalmente, essa quantidade é equivalente a um terço da população da cidade, segundo o IBGE



Frigorífico de suínos da Languiru/Renan Silva


Poço das Antas de volta à rota do desenvolvimento


Para o prefeito de Poço das Antas, Glicério Ivo Junges (PMDB), de 61 anos, falar do "efeito Languiru" na cidade é voltar no tempo, pelo menos uns 50 anos. Junges explica que em meados do ano de 1960, a pequena cidade era rota de passagem do Vale do Taquari para a Serra e para a Região Metropolitana.


Porém, o desenvolvimento levado para o lado de Tabaí, com a construção da BR-386 e com a nova ligação para Porto Alegre interrompeu o crescimento, em 1970. "Nós tínhamos um hospital com mais de 50 leitos, uma fábrica de laticínios; havia linhas de ônibus que passavam por aqui. Atualmente, não tem mais nada", recorda.


Por quase cinco décadas, o desenvolvimento ficou adormecido em Poço das Antas, mas acordou e começa a modificar a vida de quem mora na cidade. "Na fila do posto de saúde, todo mundo se conhecia; na saída da missa também. Hoje é diferente", garante o prefeito.




Prefeito Junges, no ponto mais alto de Poço das Antas/Renan Silva





Assista aqui ao depoimento do prefeito de Poço das Antas, Glicério Ivo Junges






Valorização imobiliária

O prefeito garante que, hoje, há pelo menos 300 terrenos disponíveis para compra na cidade. Os loteamentos abertos exigem investimento em infraestrutura, como pavimentação, ligação de energia e saneamento, providências que serão resolvidas com a entrada de recursos no caixa do município, boa parte do imposto gerado pelo frigorífico.


A oferta de terrenos cresceu, e em uma escala muito maior, o valor comercial dos deles também. O secretário de Administração diz que, antes do empreendimento, um lote de terras era comercializado por R$ 6 mil. Atualmente, um terreno no Centro não sai por menos de R$ 60 mil.


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