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Cemitério familiar: herança centenária no interior das cidades

Cemitério Scheffer é preservado pelos parentes que temem ficar sem um ?pedacinho? de terra depois da vida

Créditos: Rodrigo Nascimento
- Rodrigo Nascimento

Arvorezinha - Imagine ter, nos fundos de casa um cemitério particular. Daqueles que se vê em filmes que retratam épocas remotas, geralmente de terror. O portão de ferro corroído pelo tempo range mostrando que ali habitam os que ultrapassaram a fronteira da vida.


Em Gramado, no interior de Arvorezinha, a Família Scheffer tenta resgatar a história e garantir um espacinho quando a sombra da morte chegar. Com medo de ficar sem um território, ou imaginar que sua lápide possa sumir com o passar dos anos, os descendentes do alemão Karl Schäffer (Carlos Scheffer) restauraram a última morada.


Maria Scheffer (64) é quem lidera o grupo formado por sobrinhos, que no próximo dia de finados - 2 de novembro - vai cultuar os mortos no campo santo familiar.


Maria apresenta seu cemitério



Medo é um sentimento que passa longe da família Scheffer. Eles gostam de estar dentro do cemitério herdado do tetravô, e fazem do local um ambiente de contemplação. Tanto que Pedro Portela Scheffer (55) vem de Passo Fundo ajudar na restauração do local, e faz questão de preservar o espaço. 


Pedro Scheffer




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Aqui as portas estão abertas para a família, ninguém paga mensalidade e não precisa ser sócio da Igreja

 



Odair Scheffer da Luz (43) conta que não conheceu boa parte dos antepassados, mas não abre mão de cultivar a terra que lhes foi dada um dia para sua última morada. 

Ouça o depoimento de Odair






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Temos que passar para os nossos filhos que nós temos onde ficar depois da vida





Ao lado do filho, na eternidade


Aproveitando a necessidade de reconstrução do espaço, ela transferiu a sepultura de um filho, enterrado em Lajeado, para o local. Dona Maria mantém vivo o instinto materno. O filho tinha uma doença neurológica. Não falava, mas tinha sintonia fina com o amor da mãe.






Cultura do presente

O historiador da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Olgário Vogt, garante que os cemitérios "particulares" eram necessidade nos séculos XVIII e XIX. Na época, as famílias não tinham acesso às cidades, onde os cemitérios maiores ou até públicos se concentravam. Hoje, eles são a ligação com um elo perdido, na busca por um sentido maior para a vida cotidiana.

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