Esporte

Lajeado tem o primeiro Consulado Feminino da história do Grêmio

O feito inédito dará voz para elas em segmentos onde não havia a presença feminina dentro do clube

Créditos: Rita de Cássia
GRUPO: Consulado Feminino de Lajeado - Lidiane Mallmann
Lajeado - As mulheres não estão para brincadeira e assumem cada vez mais os postos que almejam. Seja na vida pessoal, profissional, sozinhas ou em grupos. E não estamos falando somente em direitos iguais e empoderamento, mas em respeito, no mais amplo sentido da palavra. Ainda há muito para alcançar, é difícil, às vezes demorado, mas elas não desistem. Quando buscam algo, unem forças e o resultado só pode ser um: a vitória. 
 
As mulheres gremistas de Lajeado e região que o digam. Elas conseguiram um feito inédito. Uma verdadeira jogada de mestre. Criaram o 1º Consulado Feminino da história do Grêmio e o primeiro do Brasil. O Departamento Consular já havia sugerido a todos os consulados que pelo menos uma mulher fizesse parte. Mas agora, a iniciativa é efetiva, pois é formado 100% por mulheres, com suas iniciativas e características. "As mulheres são mais criativas, mais dedicadas que os homens em suas funções, e certamente quem vai ganhar com isso é o Grêmio. A direção do Departamento Consular está aberta para receber todas as mulheres que quiserem se engajar nesta ideia", explica o diretor geral da área no Grêmio, Hermes Duarte. Segundo ele, as mulheres poderão participar da vida social e principalmente da vida política do clube. "Historicamente num universo de 380 conselheiros, não temos mais do que meia dúzia de mulheres. Nunca uma delas chegou à presidência, provavelmente, nem mesmo ocupou um cargo de expressão. Acho que está chegando a hora delas ocuparem um espaço que também é delas", afirma. 
 
O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, comemora o pioneirismo de um consulado unicamente formado por mulheres. "Estamos muito felizes com esse protagonismo da mulher, criando um ambiente de engajamento, de zelo, de amor ao clube e de confraternização. Somos um Grêmio de todos."
 
Elas têm a força
 
O Consulado é fechado, formado por 15 integrantes que passaram por uma votação. São mulheres de Lajeado e outros municípios do Vale do Taquari que também integram o grupo Gurias do Grêmio Lajeado, do qual fazem parte mais de 160 mulheres. Conforme a cônsul Eroni Lorenz Abella, a tentativa de abertura do consulado existe desde 2008, mas foi em 26 de janeiro deste ano que obteve a aprovação. "A grande diferença entre os demais grupos, movimentos e núcleos femininos é que o consulado tem poder de voz. Teremos autonomia em relação as informações, ingressos e autorização para fazer ações em nome do time", explica. A consul adjunta, Zully Abella, conta que algumas pessoas não entendiam o motivo de existir mais um grupo assim. A ideia é que todas tenham a oportunidade de ir aos jogos e realizar ações em prol da comunidade. "Hoje, as mulheres assistem aos jogos tanto quanto os homens, mas muitas ainda dependem deles para ir ao estádio. Com um grupo feminino, a união tornará viável que todas que quiserem possam participar. A partir dos consulados femininos, ainda mais mulheres irão se associar e farão parte da vida do Grêmio". O grupo também tem projetos voltados a promoção de jantares e campanhas para arrecadar donativos, que em breve serão divulgados. 
 
Lugar de mulher é no estádio
 
Cada vez mais as mulheres ocupam espaços que antes eram de maioria masculina. Elas assistem aos jogos e vão aos estádios não apenas para acompanhar o marido ou namorado. Elas vão porque gostam e entendem de futebol. Mas nem sempre foi assim. Por isso, cada passo representa uma grande conquista para elas. "Há dez anos, não era comum ver as mulheres nos estádios. E as que frequentavam, ouviam piadinhas. Isso afastava as mulheres dos campos. Ainda bem que esta realidade está mudando", explica  o diretor regional do Grêmio no Vale do Taquari, José Eduardo Abella. Ele foi um dos grandes aliados para a aprovação do consulado feminino. "Desde 2008 estamos tentando. Foi necessário, inclusive, alterar o regimento interno do Grêmio", explica. Em todo o mundo, o Grêmio tem 760 consulados, nos quais apenas quatro mulheres têm o cargo de cônsul. Segundo Abella, hoje o time tem aproximadamente 93.600 sócios em dia, destes, 18% são mulheres. 
 
Elas na Arena
 
Durante o jogo realizado na noite de ontem, entre Grêmio e São Paulo-RS, as mulheres receberam uma homenagem mais que especial na Arena com a apresentação, pela primeira vez, do Consulado Feminino. "Fomos autorizadas a divulgar a novidade, que também mostra a força da mulher. Essa é uma vitória de todas nós. Esperamos que muitos consulados femininos sejam criados, a partir do nosso", comemora Zully. "Este momento é histórico na vida do clube. Certamente agora muitas cidades vão copiar esta ideia fantástica das mulheres de Lajeado e criar novos núcleos, novos consulados", afirma Hermes Duarte. Conforme o diretor consular adjunto, Flávio Bécco, a torcida do Grêmio é a maior do Sul do Brasil e a 5ª maior do país. A mobilização feminina fará essa marca ser ainda maior. "Sempre incentivei a participação das mulheres. E se é bom para o Grêmio, então temos que colocar em prática", comenta.
 
Formação do consulado
Eroni Lorenz Abella, Zully Abella, Bruna Nunes, Inajara da Silva, Taine Wendt, Mara Rockenback, Bruna Rockenback, Daiana Buza, Mariane Tomazzi, Eduarda Henkes, Karen Klein, Gabriele de Oliveira, Vânia da Rosa, Liriane de Oliveira e Natália Cardoso.
 
Amigas do Alviazul: apoio dentro e fora de campo
 
A força da mulher também está bem representada quando o assunto é Clube Esportivo Lajeadense. A Associação das Amigas do Alviazul (AAAA), que ainda está em processo de formalização, surgiu na metade de 2017 para fazer a diferença dentro e fora do campo. A presidente Leandra De Nez conta que um grupo de mulheres resolveu agregar atividades e aproximar a comunidade ao clube. 
 
Hoje, são em torno de 20 mulheres atuantes, que contam com a colaboração de amigas e apoiadoras indiretas. "O futebol ainda tem um certo tabu de que é só para homem, mas isso não é verdade. Queremos mostrar que todos podem fazer parte". Segundo ela, há vários tipos de colaboradoras. "Aquelas que torcem e ajudam. Aquelas que se preocupam mais com a parte social. E aquelas que precisam ver o jogo". Um dos trabalhos já realizados em prol do clube foi uma campanha para reestruturar o refeitório, com a troca de vários itens. 
 
Foram arrecadados liquidificador, batedeira, forno elétrico e outros materiais. "Também conseguimos o trabalho voluntário de uma nutricionista e uma psicóloga. É um tipo de apoio de fora, mas com o objetivo de colaborar com os bons resultados dentro de campo", explica. E as mudanças não param. Seja na área da praça de alimentação com opções diferenciadas de lanches durante os jogos, seja na limpeza dos banheiros, que era uma grande preocupação. Há inclusive uma loja com produtos do time. E várias outras melhorias ainda estão por vir. "Esperamos que as pessoas sintam-se bem em frequentar o local. E que cada vez mais mulheres assistam aos jogos."
 
PRESIDENTE: Leandra de Nez
 

 

 

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